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BRASIL, Sul, PORTO ALEGRE, CENTRO, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Livros, Política
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Reflexões Cretinas
A teoria do véu e a teoria do carobo
É tão estranho quando nossas idéias* vêm do nada, e é extremamente perturbador quando essas idéias deixam de ser idéias e se tornam constatações. Há exatos quinze minutos esse pensamento me ocorreu, e o achei perfeitamente real, sei que alguns me acharão completamente insano. É como se o véu que encobria meus olhos tivesse se deslocado de seu lugar habitual por alguns milésimos de segundo me permitindo ver o mundo real, não aquele que nos é apresentado, esse tempo, apesar de muito pequeno, foi suficiente para que eu entendesse essa nova realidade.
Creio, e isso há muito tempo, que todos nós andamos pelo mundo com um véu que nos impede de ver o mundo como ele realmente o é, véu esse que distorce a realidade, afim de torná-la mais agradável, em alguns casos esse véu é tão espesso, que os homens em sua arrogância habitual os chamam loucos, mas coitados não vêem que são tão loucos como esses. Quando esse dito véu sai de nossos olhos por um micro instante a realidade aparece, e a revelação que advém dela é linda, é maravilhosa, é estonteante, é bela, sim, é bela, eis a melhor de todas as definições: é bela, no entanto em algumas vezes, na maioria deles, na verdade, é quase impossível explicar aos outros essa constatação, ela se torna algo íntimo, algo todo seu, tal revelação é quase como aquele arbusto em chamas que fala a Noé sobre o dilúvio. Caso eu acreditasse em Deus diria que Ele nesse pequeníssimo instante nos permite ver o verdadeiro mundo. Poder ver o mundo sem o véu por alguns segundos por dia seria belo --- realmente não consigo encontrar melhor palavra do que essa para descrever --- no entanto, isso só ocorre para poucos homens extraordinários, para nós, homens comuns, acontece muito raramente.
Como já disse explicar o que imaginei é muito complicado, mas tentarei mesmo certo de meu fracasso. "A mulher mais triste do mundo que já segurou um copo de Martini". Eis a teoria: todos as pessoas estão constantemente infelizes. Ao ver uma pessoa brincando, rindo, fazendo bobagens, nos divertimos juntos e afirmamos: "como você está feliz", quer dizer que nos outros dias ela está triste? A maioria responderá que não, mas a verdade é que sim. Quando estamos alegres não nos importamos com o que os outros vão pensar, simplesmente fazemos o que devemos fazer, sem medo de arriscar. Isso implica que as pessoas só podem ser felizes na companhia de outros, não é possível estar feliz sozinho, sim creio que sim, isso mostra a gigantesca dependência que o ser humano possui um do outro. Ele precisa dos outros sejam eles amigos ou namorados, tudo é uma busca por felicidade só encontrada naquele momento de total liberdade de ação, sem medo do que os outros pensarão dele. Quando somos nós mesmos é que somos verdadeiramente felizes, é naquele momento raro para alguns que está a felicidade. Enfim, os sisudos que me perdoem, mas o carobo é a única pessoa realmente feliz.
*Inspiração: Uma conversa sem nexo com meu grande amigo Maurício, o brilhante Vanilla Sky e a comédia Seinfeld.
Escrito por Mais Um às 22h10
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Alex havia acordado tarde e de péssimo humor. De ressaca, estava meio sonâmbulo e com a cara vermelha. Na noite passada havia ficado num bar com alguns amigos da vila onde morava. Cambaleando até o banheiro escovou os dentes, vestiu-se apressado e sem motivo aparente foi pro centro, sem mesmo comer. Sua mãe, uma coitada faxineira já gasta pelo tempo traiçoeiro, só teve tempo de dizer: “Alex, meu filho, aonde vai?”
O caminha lerdo pelas ruas aliviou o cansaço do rapaz, e ele, agora, caminhando pelas ruas descascadas e quentes, naquele sol tórrido parecia feliz. De repente, se viu num aconchegante e arborizado parque, com canteiros de flores das cores do arco-íris. O sol passava pelas frestas das árvores, provocando curiosos desenhos no chão arenoso. Num banco velho de estilo grego-abrasileirado, com esfinges dos dois lados, estava sentada uma jovem de aparência aristocrática. Tinha longas tranças e vestia um leve vestido de cetim rosado, o seu rosto levemente maquiado valorizava ainda mais a sua delicada beleza. Estava lendo, e aquele gesto de virar a página pareceu tão gracioso pro Alex que a jovem lhe pareceu uma princesa, comparada com as vulgares moças da favela. De repente ele se olhou e ficou envergonhado: estava todo descabelado, o short surrado cheio de remendas, assim como a camisa, propaganda política de um candidato. Triste e arrasado, Alex então resolveu sair do parque, mas não conseguiu, não dava um passo sem olhar para trás, olhar aquela jovem que mexeu tanto com o seu coração...
Sem pensar no que estava fazendo, foi pro cristalino lago do parque, onde havia vários patinhos brancos, que brincavam alegremente. Pulou na água gelada, num misto de raiva e tristeza, resolvendo morrer assim, pois pensou: “Não sou nada nessa vida e nunca irei ser. Sou inferior, pois se tivesse uma linda limusine e um terno bem passado, não teria vergonha de nada. Adeus mundo cruel...” Mas algo o fez hesitar: viu através d’água aquela que fez ele querer se suicidar. Estava abanando e gritando alguma coisa. Seus gritos mudos se transformaram em meigos sussurros na cabeça do Alex: “Não se mate, pois te amo!” Por ela resolveu emergir, e logo que tirou a cabeça d’água, pôde escutar com toda a precisão
- Seu louco! Você quase matou esses pobres patinhos! Não vê a placa que não pode nadar aqui?
Alex, arrasado, saiu da água, as gotas descendo-lhe pela face e cabelos e pingando no chão. Todo encharcado,
caiu de joelhos na frente da moça, sem notar a multidão que se reuniu em volta:
-Você é uma linda princesa...Faria qualquer coisa por você! Por você eu seria capaz até de morrer! Ponho a minha vida em tuas mãos. Faça com ela o que bem entenderes. Mas lembre-se: eu te amo.
A jovem, então, fez uma cara de nojo, chutou a cara do coitado e pediu para alguém chamar a polícia. Deu meia-volta e se foi, sem mesmo olhar para trás, para o rosto e a alma pisados de Alex. O último pensamento do Alex foi: “Por você, eu conseguiria até ficar alegre...” E a última coisa que ele escutou e viu foi uma idosa senhora correndo na sua direção com uma toalha na mão: “Pegue a toalha, fique frio rapaz, a vida continua... Você encontrará mulheres melhores, de verdade” Infelizmente Alex não escutou mais nada, apenas saiu correndo e num gesto repentino se jogou na frente de um carro. Daqui a um minuto seu coração já não mais batia e nunca mais iria bater. Nem pela moça. Talvez se ele escutasse a última frase da boa mulher, valorizaria mais a vida, e não teria se matado: “Rapaz, aquele era só mais um travesti maluco...não dê bola..” Como frases e palavras mudam a vida das pessoas...
Escrito por Mais Um às 19h57
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Sensação Permanente
Esse ambiente me causa repugnância
Escrito por Mais Um às 08h41
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Enfim, voltei
Depois de mais de um mês sem atualizações, vi que era necessário atualizar, no entanto não tinha sobre o que escrever, andava "distraído, impaciente e indeciso", agora aos poucos retorno a minha vida, não da forma que a deixei, mas um pouco diferente, talvez não um pouco, mas bastante. É exatamente por isso que resolvi postar, me preocupei com isso.
Essa preocupação não é desprovida de fundamento, ao menos é isso que creio. Começou por comentários de amigos meus, dizendo o quanto eu andava diferente, me diziam que já não mais agia da mesma forma em diversas situações. Primeiro me preocupei, queria entender o porquê, o que estava tão diferente, não aceitava que havia algo que não estivesse do mesmo jeito. Agora, com mais calma, vejo realmente que nada está como era, tudo mudou, e não fui só eu. Todos estão diferentes, tudo está diferente, e também, de uma forma paradoxal, tudo está da mesma forma. Eu estou sendo confuso pra alguns, e para outros, não poderia ser mais claro.
Sobre o que os outros pensam não posso responder, mas da minha parte, não mais me preocupo, e digo aos meus bons amigos, não se preocupem também porque posso estar diferente, mas dessa vez estou feliz, "tão tranqüilo e tão contente".
Talvez Renato Russo seja mais claro:
Tenho andado distraído, Impaciente e indeciso E ainda estou confuso. Só que agora é diferente: Estou tão tranquilo E tão contente. Quantas chances desperdicei Quando o que eu mais queria Era provar pra todo o mundo Que eu não precisava Provar nada p'ra ninguém. Me fiz em mil pedaços P'ra você juntar E queria sempre achar Explicação p'ro que eu sentia. Como um anjo caído Fiz questão de esquecer Que mentir p'ra si mesmo É sempre a pior mentira. Mas não sou mais Tão criança a ponto de saber Tudo. Já não me preocupo Se eu não sei porquê Às vezes o que eu vejo Quase ninguém vê E eu sei que você sabe Quase sem querer Que eu vejo o mesmo que você. Tão correto e tão bonito O infinito é realmente Um dos deuses mais lindos. Sei que às vezes uso Palavras repetidas Mas quais são as palavras Que nunca são ditas? Me disseram que você estava chorando E foi então que percebi Como lhe quero tanto. Já não me preocupo Se eu não sei porquê Às vezes o que eu vejo Quase ninguém vê E eu sei que você sabe Quase sem querer Que eu quero o mesmo que você...
Escrito por Mais Um às 18h28
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Beleza Americana
Cena final.
" ...é difícil ficar zangado quando há tanta beleza no mundo, às vezes acho que estou vendo tudo de uma vez só, e é demais, meu coração se enche como um balão preste a estourar. Então eu me lembro de relaxar e de tentar parar de me apegar a isso, e então tudo flui através de mim como uma chuva, e eu não posso sentir nada além de gratidão por cada momento de minha vida idiota. Vocês não têm idéia do que estou falando, tenho certeza, mas não se preocupem, um dia terão".
Escrito por Mais Um às 04h46
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Só por hoje eu vou me lembrar que sou feliz
Sei que Renato Russo não deu o significado que eu vou dar pra essa frase, até acho que é impossível dar esse significado mesmo com a frase fora de contexto, mas darei mesmo assim.
É estranho para mim escrever no meu blog quando estou feliz, e é como me sinto agora, feliz, saído do buraco, ainda não me acostumei a escrever coisas positivas e boas aqui, mas devo fazer ou ele ficaria assim como estava sem uma atualização decente --- sem piadas --- há tempos. Sinto-me bem, tão bem que não paro de pensar como é que não vi as coisas tão óbvias antes, talvez fosse medo de sair do fundo para ir rumo ao desconhecido, estou indo pra lá, não sei quanto tempo continuarei indo, mas está tão bom, não ter as mesmas neuroses racionais, é tão bom poder optar por algo sem ser por critérios totalmente objetivos, é bom poder sentir novamente. É bom não ser eu mesmo por um tempo, é bom ter novas neuroses, e até mesmo crises adolescentóides, é ótimo não precisar seguir sempre a mesma rotina empoeirada de antes, em síntese: é bom estar vivo. É, talvez pareça exagero, mas garanto que não é. Mudar é bom, e algumas vezes necessário.
Para não parecer totalmente estranho aos que lêem terminarei de forma negativa, é possível que tudo isso acabe, mas tenho a sensação de que não importa como acabe, terá valido a pena, é, talvez não tenha sido tão negativa assim.
Escrito por Mais Um às 02h50
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Sensações
Não sinto meus braços,
Não sinto minhas pernas,
Acho que vou morrer.
Escrito por Mais Um às 03h40
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Depois das festas
Mais festas de fim de ano. Não sei o que é pior, o ano ou essas festas. Comemorações vazias, frases sem sentido, clichês, tudo isso regado a muito álcool. Queria que pelo menos uma vez na vida algumas pessoas não aceitassem tudo aquilo que lhe é imposto, podiam pensar, racionalizar antes de seguir com aquela rotina estúpida e sem sentido.
No ano novo, por exemplo, eu estava em Torres, na beira da praia esperando a virada - tudo isso, claro, contra minha vontade. E o que vejo? Uma multidão quieta, que ao simples mudar de um ponteiro torna-se histérica, eles começam a beber e a abraçar uns aos outros. Fico pensando o que diria um viajante do espaço ao ver uma multidão de idiotas, gritando e olhando os fogos. Certamente pensará: "Seres estranhos esses que ignoram uns aos outros durante todo o ano, lhes negando atenção, carinho e até respeito, mas em duas datas que eles chamam Natal e Ano Novo, todos esquecem das brigas, da falta de atenção dos outros e se abraçam e comemoram como loucos. No Natal porque um homem que nasceu há dois mil anos disse "Amai-vos uns aos outros", se reúnem, comemoram ele, mas não o seguem, a não ser, é claro, nessa data especial. Já nessa dita virada de ano, dizem que as coisas podem mudar, mas porque isso ocorreria, só pela simples razão, de que agora se escreve 2005 e não 2004? Seres estúpidos e atrasado, melhor ir embora". Ele pensará isso sim, pois é um observador de fora, não precisa fantasiar sobre nossas vidas patéticas. Naquela praia eu só queria perguntar para eles: "Por que você está comemorando? É porque lhe disseram que assim devia ser? Ou você racionalizou sobre isso?". Não, certamente eles não fizeram isso, eles só aceitam os valores pré-estabelecidos, como verdadeiros camelos nietzchiano. É, Renato Russo estava certo: "Vamos comemorar feito idiotas...". Isso ecoa na minha mente.
Momento novela da globo
Pois bem, queria só deixar registrado que apesar de todas as desgraças do ano, os meus amigos foram o que deram certo, a única coisa boa. Não, não citarei nomes, mas se vocês estão lendo isso, é porque de alguma forma são importantes pra mim - só alguém que se importa comigo leria as bobagens que escrevo. Queria agradecer por tudo. Depois desse momento digno de Manoel Carlos, prometo que é a última vez que faço esse tipo de melodrama aqui. Beijos e abraços para todos.
Escrito por Mais Um às 00h45
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Deus
Meu amigo Zen pediu, então lá vai.
Deus. Linda palavra por tudo que teoricamente deveria simbolizar. Criado por nós para diminuir nosso medo e anseios com relação a morte, é isso mesmo que pensas, o homem medroso, covarde---como sempre---criou Deus e sua bondade para que não sofresse tanto. É difícil, e eu sei bem disso, ter consciência que as coisas por aqui começam e por aqui terminam, nossos pais e avôs que partem e nunca mais voltarão a ser vistos, é, convenhamos, muito mais fácil e, até mesmo, prazeroso não saber essa triste realidade, é melhor pensar que Deus castigará os maus---os outros--- e recompensará os bons---que sempre somos nós, obviamente. Com o passar dos tempos a religião serviu, também, aos poderosos para ocultar os seus propósitos escusos, bem disse Saramago (com palavras minhas, infelizmente): "Por nos comportarmos bem nos ofereceram os céus, para não nos comportarmos mau nos ameaçaram com o inferno...". É com simples lógica e reflexão que eu proponho que sigamos essa linha de raciocínio. Primeira pergunta: Deus existe? Bom, se a resposta for não, chegamos a um lugar comum. Se sim, cabem mais algumas perguntas. Há tanta miséria no mundo, desgraças, injustiças e Ele não faz nada, porque não quer ou porque não pode? Se não quer, é sádico, não há outra explicação. Se não pode, não é onipotente, então, por que o chamamos de Deus? Sei bem, de todas as respostas que diriam, caso lessem isso, e a maioria se resumiria a isso: livre-arbítrio. No entanto, proponho esse caso: um menino andava pela rua, quando foi atacado por um cachorro, que lhe cegou apenas um olho, permitindo que pudesse ver pelo outro. Vendo isso a maioria diria: "Graças a Deus ele ainda tem um olho". Interessante se analisado friamente, é por Deus que o menino tem um olho, mas é por pura fatalidade---ou livre-arbítrio do dono do animal que esqueceu de acorrentá-lo---que o outro olho lhe foi arrancado. Com uma defesa dessas quem pode um dia condená-lo? Eu proponho que não agradeçamos pelo que sobrou, mas sim o injuriemos pelo que foi tirado, pois qualquer atitude contrária a essa, tem um só nome: comodismo, pois a maioria dos males vem para mal, e não há propósito para nada. Porém, se eu estiver enganado e houver um ser superior me esperando quando morrer, espero que ele esteja ajoelhado e me pedindo perdão por me fazer viver em meio a isso. No entanto, se for tudo como as igrejas pregam, Cazuza estava certo: “... o Reino dos Céus é do chato/ do chato do chato/ do otário e do cagão..." e de lá prefiro ficar longe.
Escrito por Mais Um às 00h29
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Reinício
Depois de um bom tempo sem atualizar o antigo blog acabei por excluí-lo. Agora, passado alguns meses, o retomo para mais um projeto que será, com toda certeza, um fracasso completo.
Passado as apresentações, vamos aos posts, que tentam refletir sobre os acontecimentos do nosso cotidiano. Não tenho a pretensão de o fazer melhor do que os outros, e é por isso que o blog se chama reflexões cretinas, pois são as reflexões de mais um, apenas.
Vamos, então, as reflexões em si.
Escrito por Mais Um às 03h48
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